Já fiz terapia e não resolveu. E agora?
A queixa mais comum de quem volta ao consultório: falou muito, remexeu o passado e saiu sem saber o que fazer. Vale entender o que aconteceu antes de desistir.
Uma parte considerável das pessoas que chegam ao meu consultório já fez terapia antes. E a frase se repete quase igual: eu falava, ela escutava, e no fim eu saía sem saber o que fazer com aquilo.
Vale levar essa queixa a sério, em vez de tratar como resistência. Às vezes ela aponta para algo real.
Três motivos comuns para um processo não andar
1. O foco ficou preso no passado
Entender de onde vem um padrão é útil. Mas reconstruir a história pode virar um fim em si mesmo. Se todas as sessões terminam em explicação sobre a infância e nenhuma toca no que aconteceu ontem, o processo tende a estacionar em compreensão sem movimento.
2. Faltou combinação sobre o objetivo
Terapia sem objetivo combinado vira conversa acompanhada. Não precisa ser meta rígida, mas precisa haver alguma direção — o que te trouxe, o que você quer que mude, como vamos saber que está mudando. Isso pode e deve ser revisitado ao longo do caminho.
3. A abordagem não combinou com você
Existem muitas abordagens em psicologia, e elas trabalham de formas diferentes. Isso não é defeito, é diversidade de método. Mas significa que um encaixe ruim entre a sua necessidade e o método do profissional é possível — e não quer dizer que terapia não funciona para você.
Terapia que não termina em nada concreto vira desabafo caro. Terapia que só entrega técnica vira manual sem sujeito.
O que é direcionamento prático
Não é conselho. Não é a psicóloga dizendo o que você deve fazer com a sua vida — isso, aliás, seria má prática.
Direcionamento prático é sair da sessão com alguma coisa para levar. Pode ser uma observação (repare em que momento o aperto no peito aparece nesta semana). Pode ser um experimento (tente dizer não uma vez e veja o que acontece dentro de você). Pode ser uma decisão que estava travada e ganhou critério para ser tomada.
É o que transforma entendimento em mudança. Sem isso, a pessoa entende cada vez melhor por que sofre, e continua sofrendo com mais vocabulário.
Como avaliar se vale tentar de novo
- Você conseguia dizer, ao final de cada sessão, o que tinha ficado dali?
- Havia alguma direção combinada, ou cada encontro começava do zero?
- Você se sentia à vontade para discordar do que era dito?
- O processo tocava no presente, ou só no passado?
Se a resposta para a maioria for não, o problema provavelmente não foi terapia em si. Foi aquele processo específico. E vale conversar sobre isso logo na primeira sessão do próximo — inclusive comigo.
Quer conversar sobre isso?
Se esse texto te tocou, talvez seja hora de olhar para isso com apoio.
Falar no WhatsApp