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Suelen Santoro Psicóloga · CRP 08/39364
Ansiedade 16/07/2026 3 min de leitura

Já fiz terapia e não resolveu. E agora?

A queixa mais comum de quem volta ao consultório: falou muito, remexeu o passado e saiu sem saber o que fazer. Vale entender o que aconteceu antes de desistir.

Uma parte considerável das pessoas que chegam ao meu consultório já fez terapia antes. E a frase se repete quase igual: eu falava, ela escutava, e no fim eu saía sem saber o que fazer com aquilo.

Vale levar essa queixa a sério, em vez de tratar como resistência. Às vezes ela aponta para algo real.

Três motivos comuns para um processo não andar

1. O foco ficou preso no passado

Entender de onde vem um padrão é útil. Mas reconstruir a história pode virar um fim em si mesmo. Se todas as sessões terminam em explicação sobre a infância e nenhuma toca no que aconteceu ontem, o processo tende a estacionar em compreensão sem movimento.

2. Faltou combinação sobre o objetivo

Terapia sem objetivo combinado vira conversa acompanhada. Não precisa ser meta rígida, mas precisa haver alguma direção — o que te trouxe, o que você quer que mude, como vamos saber que está mudando. Isso pode e deve ser revisitado ao longo do caminho.

3. A abordagem não combinou com você

Existem muitas abordagens em psicologia, e elas trabalham de formas diferentes. Isso não é defeito, é diversidade de método. Mas significa que um encaixe ruim entre a sua necessidade e o método do profissional é possível — e não quer dizer que terapia não funciona para você.

Terapia que não termina em nada concreto vira desabafo caro. Terapia que só entrega técnica vira manual sem sujeito.

O que é direcionamento prático

Não é conselho. Não é a psicóloga dizendo o que você deve fazer com a sua vida — isso, aliás, seria má prática.

Direcionamento prático é sair da sessão com alguma coisa para levar. Pode ser uma observação (repare em que momento o aperto no peito aparece nesta semana). Pode ser um experimento (tente dizer não uma vez e veja o que acontece dentro de você). Pode ser uma decisão que estava travada e ganhou critério para ser tomada.

É o que transforma entendimento em mudança. Sem isso, a pessoa entende cada vez melhor por que sofre, e continua sofrendo com mais vocabulário.

Como avaliar se vale tentar de novo

  • Você conseguia dizer, ao final de cada sessão, o que tinha ficado dali?
  • Havia alguma direção combinada, ou cada encontro começava do zero?
  • Você se sentia à vontade para discordar do que era dito?
  • O processo tocava no presente, ou só no passado?

Se a resposta para a maioria for não, o problema provavelmente não foi terapia em si. Foi aquele processo específico. E vale conversar sobre isso logo na primeira sessão do próximo — inclusive comigo.

Quer conversar sobre isso?

Se esse texto te tocou, talvez seja hora de olhar para isso com apoio.

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